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28 de outubro de 2016

Panorama atual de Fusões e Aquisições no setor de Educação

O mercado de M&A (sigla em inglês para fusões e aquisições) para educação encontra-se aquecido, seguindo um movimento de consolidação no setor, principalmente na área de ensino superior através de aquisições de grandes grupos.

O anúncio recente da fusão Estácio pela Kroton, duas líderes do setor, coloca mais lenha na fogueira e incentiva outros grandes grupos a ir às compras para não serem engolidos.

Outro fator motivador são as restrições no Programa de Financiamento Estudantil, o FIES. Com o impacto do corte nos financiamentos e da crise econômica, donos de companhias de menor porte podem decidir pela venda. Já os grupos maiores vêem nessas aquisições oportunidade para diminuir custos através de sinergias, gerar receita e um ganho instantâneo de alunos num momento em que a matrícula de novos alunos na rede privada caiu 6,9%, como mostra o último censo do INEP.

Importantes aquisições recentes no setor, além da já mencionada acima, envolvem a Anima Educação que adquiriu Sociedade Educacional de Santa Catarina (Sociesc) por mais de 150 milhões, a Alis Educacional, que controla faculdades no interior de Minas Gerais, por 46 milhões e as Faculdades Politécnica de Uberlândia e Goiás por 24 milhões. A norte-americana DeVry também realizou aquisições recentemente, da Ibmec por exemplo, por 699 milhões e da Faculdade de Imperatriz (Facimp), valor não divulgado.

Outros grupos educacionais interessados em comprar faculdades são a Ser Educacional, que iniciou sua entrada em Minas Gerais recentemente através de uma aquisição, a Uninter, segunda maior companhia de ensino a distância no Brasil, entre outros. Além destes, grupos nacionais e internacionais de diferentes setores, fundos de investimentos e gestoras de private equity miram investir no setor de Educação que tem enorme potencial de crescimento, uma vez que apenas 15% dos jovens brasileiros entre 18 e 24 anos estão no ensino superior e a meta do governo é dobrar esse percentual até 2025.

Para transações de M&A no setor Educacional Superior, alguns pontos importantes que serão analisados pelos grandes grupos são:

  • A finalidade e a localização da instituição;
  • O número de alunos matriculados e seu ticket médio (valor médio de mensalidade por aluno);
  • O percentual de alunos financiados pelo FIES/ProUni;
  • Cursos autorizados ou reconhecidos pelo MEC com seus respectivos CPCs e a quantidade de vagas autorizadas;
  • IGC da instituição (nota do MEC) e os polos de EAD autorizados e em tramitação;
  • A composição do corpo docente e técnico-administrativo e sua qualificação, bem como situação da sede física;
  • A situação financeira da IES e existência ou não de passivos.

A venda de uma faculdade, como de qualquer outra empresa, deve ser conduzido por pessoas capacitadas, competentes e com grande conhecimento no setor, pois requer PREPARAÇÃO DA EMPRESA, muito planejamento, compreensão dos trâmites legais e levantamento muito bem feito dos números para apresentação ao fundo ou investidor. Além disso, a contratação de profissionais de M&A, os Advisors, saberão preparar a IES paradepois direcioná-la, de forma eficiente e positiva, aos corretos grupos interessados nestes ativos, evitando assim desgastes, perda de tempo e conseguindo valores mais atrativos para o negócio.

Os proprietários de empresa que optam por profissionais despreparados, sem experiência no setor de fusões e aquisições, com certeza vão enfrentar problemas durante a negociação que podem resultar em um valor de venda abaixo do real e/ou desejado, ou perder a negociação com um bom potencial comprador e por fim e mais perigoso, “queimar” sua empresa no mercado.

Escrito por: Pedro Henrique T.

Data: 28 de outubro 2016

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